domingo, 15 de fevereiro de 2009

Passivos (Parte III)


TGV envolveu estudos que já custaram 74,1 milhões de
euros entre 2001 e 2007


O projecto de alta velocidade ferroviária, actualmente em fase de estudos, representou um investimento de 74,1 milhões de euros entre 2001 e 2007, de acordo com o relatório e contas da RAVE - Rede de Alta Velocidade.


"No final do ano de 2007, o valor acumulado do investimento no projecto Rede Ferroviária de Alta Velocidade em Portugal situou-se nos 74,1 milhões de euros, dos quais 21 por cento (cerca de 15,5 milhões de euros) foram concretizados no ano em análise", lê-se no relatório e contas da empresa pública responsável pelo projecto de alta velocidade.


Complementarmente, acrescenta o documento, "a RAVE promoveu ainda cerca de 1,5 milhões de euros de investimento em dotações para financiamento dos estudos e projectos no âmbito dos troços transfronteiriços em estudo no seio do AEIE-AVEP" (Agrupamento Europeu de Interesse Económico - Alta Velocidade Espanha-Portugal).

Só em 2007, o investimento directo realizado pela RAVE em estudos e projectos ascendeu a 12 milhões de euros.


Neste período, segundo o relatório e contas da RAVE, na linha Lisboa-Madrid foram investidos 5,6 milhões de euros e na linha Lisboa-Porto cerca de dois milhões de euros.


Na linha Porto-Vigo foram investidos 243 mil euros, enquanto a linha Aveiro-Salamanca não foi alvo de qualquer investimento em 2007.


Entre 2001 e 2007, foram investidos na linha Lisboa-Madrid, com abertura ao tráfego prevista para 2013, 11,9 milhões de euros, na linha Porto-Vigo 2,5 milhões de euros, enquanto na linha Lisboa-Porto foram investidos 15,9 milhões de euros.


O financiamento do projecto português de alta velocidade decorre de contribuições do Orçamento de Estado e de financiamento comunitário, no âmbito dos projectos prioritários da Rede Transeuropeia de Transportes.


Em 2007, os subsídios ao investimento transferidos para a RAVE totalizaram cerca de 15,9 milhões de euros, dos quais 10 milhões provenientes do Orçamento de Estado e 5,9 milhões de euros da União Europeia, segundo o relatório e contas da empresa pública.


Entre 2001 e 2007, o projecto de alta velocidade ferroviária obteve cerca de 78,2 milhões de euros de subsídios ao investimento, 26 milhões dos quais provenientes da União Europeia.


Em 2007, a RAVE registou prejuízos de 22 milhões de euros, um valor inferior ao alcançado em 2006, em que os prejuízos totalizaram 44,7 milhões de euros.


O passivo da RAVE subiu dos 71,3 milhões de euros em 2006 para os 83,8 milhões de euros em 2007.



05.08.2008 - Lusa

Passivos (Parte II)

Estado obrigado a injectar capital no universo Refer


Rede ferroviária. CP pagou mais pela passagem dos comboios nas linhas

Prejuízos da gestora da rede ferroviária ascendem a 162 milhões

A situação financeira da Refer, gestora da infra-estrutura ferroviária nacional, agravou-se em 2007. A empresa encerrou o exercício com prejuízos de 162,8 milhões de euros e com um total de capital próprio negativo de 973,7 milhões.

O desequilíbrio financeiro é mesmo destacado pela sociedade de revisores oficiais de contas que alerta para o facto das empresas participadas da Refer - Invesfer (comercialização), Fernave (formação), Metro do Mondego e Gare Intermodal de Lisboa (gare do Oriente) - se encontrarem em situação de "perda de metade do seu capital social". Devem ser tomadas medidas "necessárias para rectificar esta situação", advertem os auditores e que assumem mesmo que a solução "passa por aumentos dos respectivos capitais sociais".

O parecer da comissão de fiscalização das contas é demolidor para a administração da Refer, presidida por Luís Pardal, quando refere como factos relevantes do exercício: a persistência de riscos inerentes à ocorrência de trabalhos a mais, o consequente aumento dos custos de investimento e o agravamento do endividamento global em 355 milhões de euros (o qual ascendia no final de 2007 a 4,8 mil milhões).Não obstante a má performance financeira, a Refer facturou à CP 54,8 milhões de euros pela passagem dos comboios da empresa nas linhas ferroviárias, contra os 49,3 milhões cobrados em 2006.

Se no caso da CP se verificou um aumento do valor cobrado, já a Fertagus, operador ferroviário do grupo Barraqueiro, explora a travessia da ponte 25 de Abril, pagou menos pela utilização da infra--estrutura, passando de 3,147 milhões em 2006 para 3,102 milhões de euros o ano passado. No global, a Refer cobrou às duas operadoras ferroviárias 57,1 milhões de euros. Em 2007, circularam por dia em média na rede ferroviária nacional cerca de 2100 comboios, um acréscimo de 3,8% face ao ano anterior. A grande maioria dos comboios, cerca de 80%, é de serviços de passageiros.

O volume de investimentos, em 2007, atingiu os 336 milhões de euros. Esta verba veio de contribuições dos fundos comunitários (70,6 milhões de euros), do Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) cerca de cinco milhões e outras fontes contribuíram com 249,9 milhões.

A Refer indica que dos 554,9 milhões de investimento previsto, foram aplicados 335,5 milhões de euros (apenas 60%).

LEONOR MATIAS

Passivos (Parte I)

CP quer resolver passivo de 2,7 mil milhões até 2010

A CP encerrou o exercício de 2007 com prejuízos no valor de 183 milhões de euros, menos dez milhões face ao ano anterior, mantendo a tendência de melhoria que se verifica há três anos consecutivos. Para os resultados, contribuíram, entre outros factores o acréscimo do número de passageiros transportados. O ano passado, a CP transportou um total de 134,7 milhões de passageiros, mais 1,5 milhões face a 2006. O longo curso foi a área que mais cresceu.

Também a área das mercadorias apresentou um desempenho satisfatório, ao transportar 10,5 milhões de toneladas, mais 804 mil toneladas de carga face ao ano anterior. Estes resultados estão em sintonia com os objectivos do Plano Estratégico CPmais 2007-2010, de melhorar os resultados financeiros até à contratualização do serviço público definido nas Orientações Estratégicas para o sector, e que constitui um pilar na resolução do passivo da CP, avaliado em 2,7 mil milhões de euros.


Cardoso dos Reis, presidente da CP, afirmou na apresentação dos resultados financeiros que o passivo "vem do passado", dizendo mesmo que se trata de "uma dívida histórica", e reconhece que o valor agrava a performance da ferroviária.

O ano passado, a CP abateu 18 milhões ao valor da sua dívida. A contratualização do serviço público pode ajudar a reduzir o buraco financeiro da empresa. O valor das indemnizações compensatórias - 28 milhões, pela prestação do serviço público, é considerado reduzido para os custos que a empresa suporta.

A CP registou um crescimento de sete por cento dos proveitos e um controlo nos custos, tendo os resultados operacionais melhorado 11 milhões, ascendendo a 104 milhões de euros negativos, contra 115 milhões negativos em 2006.

O ano passado a empresa realizou investimentos no valor global de 17,5 milhões de euros, mais de metade (55%) dos quais na aquisição, modernização e beneficiação de material circulante. Dos projectos em curso, o fornecimento de 25 locomotivas destinadas ao serviço de mercadorias, adquiridas à Siemens, foi o que concentrou o maior esforço financeiro, que ascende a cem milhões de euros no global. Das 25 locomotivas, três são fabricadas na Alemanha, enquanto as restantes 22 serão montadas pela EMEF nas oficinas do Entroncamento. Uma locomotiva já se encontra em Portugal.

A ferroviária recebeu uma nova encomenda de material usado para vender à Argentina. No total, são 50 as carruagens que os caminhos de ferro argentinos vão comprar. Trata-se do terceiro contrato entre a CP e o Governo daquele país.

LEONOR MATIAS - PEDRO VELEZ - ARQUIVO DN