sábado, 26 de janeiro de 2008

Sessão de Esclarecimento Ambiental
TGV no concelho de Alcobaça
Dia 9/2/08 – 15 horas e 30 m
No salão de Ataíja de Baixo - Alcobaça


Temas a abordar:

Os nossos solos, aquíferos, fauna, flora, arqueologia, antropologia, história, entre outros.

Vão estar presentes:

ADEPA: Associação para Defesa e Valorização do Património Cultural Arqueológico da Região de Alcobaça.

SILEX: Associação de Defesa e Requalificação do Vale da Ribeira do Mogo


Eng. Ambiental
Eng. Florestal
Prof. História
Espeleólogo


OIKOS : Associação de Defesa do Ambiente

QUERCUS : Associação Natural da Conservação da Natureza

PNSAC : Parque Natural da Serra de Aires e Candeeiros

Esta reunião é organizada pelo Grupo A.T.AC. – (Amigos da Terra por Amor á Camisola) a fim de esclarecer toda a população do concelho de Alcobaça sobre o problema da passagem do TGV e elaborar a sua Petição para a Assembleia da República.

Gostaríamos que as Escolas estivessem presentes, a fim de usufruir dos conhecimentos destes especialistas, para que juntos possamos respeitar o ambiente que nos cerca.
A Natureza é de todos nós. Cabe a ti, a mim e a todos respeita-la.
IMPORTANTE
Sr. Munícipe,

Se tem nas suas propriedades ou tem conhecimento de algum(s) algar(es), cavidades no solo, poços medievais ou algo do género, situados nas diversas aldeias das Juntas de Freguesia de: Alpedriz ,Benedita ,Cós, Évora, Pataias, Prazeres de Aljubarrota, Turquel, S.Vicente de Aljubarrota (freguesias atingidas pelo TGV) ou ainda no restante concelho de Alcobaça, agradecemos que nos informe para o seguinte endereço electrónico ou ainda que contacte o seu Presidente de Junta e o faça contactar-nos.
Esta informação destina-se a fazer um Inventário para Registo em GPS das suas localizações, sobre os solos deste concelho.
Iremos também usufruir deste Estudo para mostramos ao nosso país e ao nosso governo a INSTABILIDADE dos nossos solos para a passagem do TGV.

Obrigado

Contacto para envio - nossosoloambientealcobaca@iol.pt

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

RAVE estuda traçados para o TGV


Os estudos para as localizações mais viáveis para o futuro traçado do TGV em Portugal, e a sua ligação a Espanha prosseguem a cargo da RAVE - Rede Ferroviária de Alta Velocidade, estando agora em análise novos itinerários.O surgimento de novas alternativas deve-se ao problema clássico da morfologia do território nacional, que tem causado "dores de cabeça" sempre que se planeia uma ligação terrestre entre Lisboa e o Porto.

No caso do TGV, a RAVE está a analisar dois corredores que permitam "contornar" a serra dos Candeeiros: um a nascente, partindo da Ota e envolvendo uma estação em Entroncamento-Tomar, e outro a poente, igualmente a partir da Ota mas com uma estação em Leiria. Daqui para norte parece pacífica a ideia de que a linha de alta velocidade passe por Coimbra e Aveiro antes de terminar no Porto.

A RAVE pondera ainda uma terceira alternativa: retirar a Ota, quer do percurso do TGV, quer do futuro aeroporto internacional de Lisboa.

Sem ter que passar pela Ota, a ligação do TGV entre Lisboa e o Porto obrigaria à construção de uma terceira travessia do rio Tejo, uma possibilidade há muito defendida e que o próprio ministro dos Transportes não descarta. Uma vez chegado à margem sul, o TGV inflectiria para norte, sempre pela margem esquerda do Tejo, voltando a atravessar o rio junto ao Entroncamento e penetrando em túnel pela serra dos Candeeiros em direcção a Leiria. Esta solução representaria um ligeiro acréscimo do tempo de viagem entre Lisboa e o Porto, apresentando igualmente maiores custos, uma vez que teriam que ser construídos um túnel na serra e uma nova ponte no Tejo. No entanto, o custo das duas estruturas acabaria por compensar, já que o fácil relevo sairia mais barato, enquanto que as expropriações necessárias seriam quase insignificantes.

Esta opção libertaria ainda o projecto de algumas complexidades inerentes à passagem da linha de TGV na Ota, ao mesmo tempo que permitia ao Governo manter a questão do novo aeroporto de Lisboa em "banho-maria". Acrescente-se ainda que a zona de Rio Frio, que durante bastante tempo disputou com a Ota a localização do novo aeroporto, é compatível com este novo traçado para o TGV.

Comboio no centro das cidades

Mas as dificuldades não se limitam à morfologia do terreno e aos traçados mais adequados, uma vez que as formas e os locais onde o TGV atravessará as cidades são igualmente complexas, representando mesmo um contrasenso.

Esta é mesmo a maior dificuldade ao projecto, uma vez que é nas cidades que se concentra o grande bolo de potenciais clientes, mas é também aqui que cada quilómetro do traçado de alta velocidade custa mais dinheiro devido às expropriações e à construção de túneis e viadutos.

Recorde-se que o estudo de viabilidade dos corredores e o estudo prévio dos corredores seleccionados foram já adjudicados aos consórcios liderados pela Euroestudos, Ingenieros de Consulta, SL e Coba, Consultores de Engenharia e Ambiente, respectivamente, enquanto a Epypsa - Estudios, Proyectos y Planificación (incluindo os subcontratados Exacto, Tecninvest e Booz Allen) foi a escolhida no concurso público internacional para a consultoria e assistência técnica ao estudo de mercado, avaliação soció-económica e financeira do projecto da linha de alta velocidade Lisboa/Porto-Madrid.

Ligação TGV - Linha do Oeste em Bypass com traçado inalterado e não electrificado


RAVE garante articulação da linha do Oeste com o TGV em Leiria

A Rave, responsável pela implementação do TGV em Portugal, tornou público na passada terça-feira que a estação de Leiria do comboio de alta velocidade ficará localizada na zona da Barosa “em articulação com a linha do Oeste”. Aquela empresa diz ainda que está prevista “uma ligação a esta linha [Oeste] na futura Estação Leiria, a executar em simultâneo com a construção da linha de alta velocidade”. Ficam assim dissipadas as dúvidas sobre a articulação entre a via férrea que serve Caldas da Rainha e Leiria e a linha de alta velocidade Lisboa-Porto. Esta mesma informação já tinha sido veiculada em Dezembro pelo Ministério das Obras Públicas em resposta a um requerimento do deputado Feliciano Barreiras Duarte. Será, assim, possível “a partir da linha do Oeste, aceder às duas localizações alternativas para a nova estação de Alta Velocidade de Leiria”, lê-se na resposta do ministério. As duas localizações alternativas a que o documento alude eram a da zona da Barosa e outra a nascente de Lei- ria, que ficou preterida. O social democrata eleito por Leiria obteve por parte do gabinete do ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações esclarecimentos de que, na impossibilidade de integrar as duas linhas no traçado de alta velocidade, permitindo o acesso directo entre si, se optou pela sua articulação, “o que irá permitir a modernização da linha do Oeste e constituir um forte apoio à sua modernização”. A modernização é, de resto, apontada como uma das “acções prioritárias” da tutela, devendo ficar definida aquando da conclusão do Plano Estratégico da linha do Oeste até 2007. No requerimento enviado ao gabinete de Mário Lino, Feliciano Barreiras Duarte dava ainda conta do receio das populações do concelho de Alcobaça face ao traçado pensado para a linha de Alta Velocidade entre Alenquer e Pombal, recuperando os protestos realizados até agora tanto pelos moradores como pela autarquia. Referindo que “todas as alternativas de traçado estudadas, servindo Leiria, passam a poente das Serras de Aire e Candeeiros, na zona da Benedita”, o ministério das Obras Públicas garante que “a minimização dos impactes negativos foi conseguida, quer através de soluções de engenharia consideradas adequadas, quer através da implementação de medidas” que se prendem sobretudo com a minimização do efeito barreira, a atenuação do ruído, a protecção de espécies ou ecossistemas e a preservação do património. O anúncio da articulação entre as estações da linha do Oeste e de alta velocidade surge no dia em que foi finalmente emitida pelo secretário de Estado do Ambiente a Declaração de Impacte Ambiental referente aos traçados propostos para a ligação em alta velocidade entre Alenquer e Pombal. Esperada desde o passado dia 24, a declaração define quais os traçados ambientalmente mais favoráveis para o TGV.



Sem novo traçado a linha do Oeste não será uma via para o séc. XXI


Não têm conta as inúmeras promessas do PS e do PSD para a modernização da linha do Oeste, logo esquecidas quando um dos partidos chega ao governo. As discussões em torno deste tema, os ataques da oposição e o silêncio e desculpas esfarrapadas da situação já fazem parte desde há décadas do folclore político do bloco central oestino.
Com a morte da Ota parece que surge uma ténue luz ao fundo do túnel para que a modernização da linha do Oeste seja embrulhada no pacote de contrapartidas do governo para a região. Ainda assim, não surpreenderia que esta obra ficasse mais uma vez adiada pois as promessas já foram tantas...

Importa, contudo, saber que tipo de modernização é que se pretende? Qual o tipo de linha férrea que deverá servir o Oeste no século XXI e qual o tipo de serviços que esta deve prestar?
Muitos autarcas e responsáveis políticos clamam o chavão da “modernização, duplicação, electrificação” sem cuidar de saber o que tal significa. A maioria, de resto, não faz tenções de viajar de comboio nem acredita que nada possa ser mais prático do que o seu automóvel na A8 a caminho de Lisboa.

E têm alguma razão.
O projecto que a Refer tem em mãos e que em breve será entregue ao Ministério das Obras Públicas e Transportes não prevê a electrificação da linha do Oeste. O documento é basicamente o que o vice-presidente daquela empresa defendeu no Congresso do Oeste, em Alcobaça, no ano passado – limita-se à introduzir sinalização automática na linha para aumentar a fluidez do tráfego e remete para a CP maiores responsabilidades na redução do tempo de recurso através de comboios novos.

É certo que há hoje material a diesel mais eficiente do que há 20 anos quando se falava na modernização das linhas férreas. Mas com ou sem electrificação, não é com o actual traçado que a linha do Oeste pode servir a região. Ir de comboio para Lisboa pela Malveira e pelo Cacém é uma volta demasiado grande que jamais poderá competir com a auto-estrada que chega à capital através de Loures.

A modernização que está prevista poderá reduzir o tempo de percurso entre as Caldas e Lisboa das actuais duas horas para uma hora e meia. Mas nunca será competitiva com a auto-estrada.
Nem mesmo com comboios modernos e confortáveis, o modo ferroviário poderá competir com o rodoviário neste eixo porque, embora possa ganhar algum mercado, as pessoas valorizam o tempo e a A8 continuará a ser a melhor alternativa.
Só uma solução que encurte a distância para Lisboa poderá fazer da linha do Oeste essa alternativa para o século XXI.

Por isso, os oestinos devem exigir uma nova linha em diagonal que, a partir do Bombarral chegue ao Carregado, ou da Malveira chegue à estação do Oriente (que terá também o TGV), a fim de colocar o Oeste em linha recta com Lisboa (e já agora o aeroporto de Alcochete).
Os preços do combustível e o pagamento da emissão de CO2, as questões ambientais, o congestionamento das redes viárias (que sempre se procura resolver construindo mais estradas), os acidentes rodoviários, aí estão para mostrar que o caminho-de-ferro é o transporte deste século. Mas não é com uma modernização do séc. XX que a linha do Oeste responderá às necessidades do séc. XXI.

in Gazeta das Caldas, Sexta-feira, 18 Janeiro de 2008

O que pensa o Ex. Ministro da Economia Campos e Cunha do TGV


"O Pendular já é Alta Velocidade, de acordo com as regras comunitárias. Não é preciso ir para o TGV, por cada aumento de quilómetro por hora de velocidade é caríssimo. E nem o argumento da ligação à rede europeia de alta velocidade serve, porque ninguém vai aqui a Paris de TGV. E para Lisboa-Madrid deve haver 10 aviões por dia, o que não enche o TGV. Portanto, por muito tráfego que se crie, não se percebe como é que se vai conseguir oito milhões de passageiros nos primeiros 3 ou 4 anos."

Sou um grande crítico do TGV. Nunca compreendi porque é que se preferia gastar centenas de milhões de euros a construir novas linhas, novos cais e em adquirir ao estrangeiro (já que a Bombardier fechou a “nossa” Sorefame) quando já tínhamos o rápido e muito engenhoso “Pendolino” da Fiat, mais conhecido como o “Alfa Pendular” que alcança velocidades de cruzeiro de 140 Km/h, mas apenas nos escassos quilómetros que na via ferroviária Lisboa-Porto foram preparados para esse fim. Se toda a via existente fosse renovada, essa renovação conseguiria obter praticamente os mesmos resultados da construção de uma nova linha para alta velocidade, com uma fracção do custo. É claro que assim não se alimentariam os lobbies da construção civil que financiaram a última campanha eleitoral, claro…
Fonte: Entrevista a Luís Campos e Cunha, de 15 de Dezembro de 2007 ao jornal “Expresso”



Custos do TGV repartidos entre privados e o Estado

O investimento necessário para a implementação da rede ferroviária de alta velocidade (TGV) será repartido entre os privados, a União Europeia (UE) e o Estado, que só irá começar a suportar os custos em 2013, quando os primeiros comboios iniciarem a circulação.
Conforme referiu Ana Paula Vitorino, secretária de Estado dos Transportes, na cerimónia de apresentação do modelo de financiamento do TGV, este já foi objecto de diversas alterações, "o que permitiu uma optimização de custos e uma redução do investimento necessário da ordem dos 600 milhões de euros em relação ao inicialmente previsto".
Na óptica da Administração Central, adiantou a secretária de Estado, este modelo "assegura uma redução do risco e ganhos de eficiência", para além de ser incentivador para o cumprimento dos prazos.
O modelo apresentado pela RAVE parece também agradar às construtoras interessadas em participar no projecto, entre elas a Mota-Engil, a Soares da Costa e a Somague.
Em declarações à comunicação social, a Mota-Engil disse considerar este modelo como "muito interessante", sobretudo tendo em conta "o prazo de concessão", pelo que a empresa está a preparar a constituição de um consórcio para concorrer ao TGV.
Já na perspectiva da Soares da Costa, "o modelo encontrado é, provavelmente, o melhor possível para Portugal", embora os seus responsáveis considerem que "o prazo de concessão poderia ainda ser alargado". Os representantes da Somague classificaram o modelo apresentado como "realista".Para o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Pina, a avaliação deste modelo e da sua viabilidade "terá sempre que ter em conta um esforço de conciliação das contas públicas". Contudo, salientou o facto das diversas alterações introduzidas ao modelo "terem permitido obter uma redução de custos de 600 milhões de euros", para o que foi também determinante a articulação das responsabilidades de cada um dos ministérios envolvidos no projecto.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Traçado TGV Este (Margem Direita) proposto pela CIP






DECLARAÇÃO DE IMPACTE AMBIENTAL

Projecto:"Ligação Ferroviária de Alta Veocidade entre Lisboa e Porto Lote C1

Troço Alenquer (OTA) / Pombal"

http://www.freehomepages.com/ortogal/DIA1686.pdf





sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

SOBRE O RELATÓRIO DO LNEC, COMENTÁRIO E VOTOS PARA O FUTURO

A decisão de não construir o novo aeroporto na Ota foi uma decisão técnica e não política.

Posso prova-lo com a carta que a seguir transcrevo enviada ao Eng. António Guterres e publicada no “Público” de 26/6/1999 em que todos os argumentos são técnicos, (e que convido a Imprensa agora a referir.)
Política, foi a decisão de construir um aeroporto na Ota sem suporte em estudos técnicos que o justificassem e contra todas as evidências que o desaconselhavam.
Política, foi a recusa em ouvir, e o modo como foram afastados todos os técnicos portugueses capazes de ter uma opinião crítica sobre o assunto. (Refiro aqui, em particular, o Engenheiro Reis Borges, militante e antigo deputado do PS, que na véspera de morrer me deu autorização para divulgar o texto que vem publicado na pagina 159 do livro "O Erro da Ota")

Política, foi o modo como, com argumentos alguns ao nível da indigência, se afastaram as hipóteses alternativas.
Política, foi a ânsia em procurara dar passos irreversíveis antes do país se poder aperceber da sua gravidade.
Política, foi o modo como se pôs de lado a competência, os conhecimentos, a capacidade e a experiência portuguesa para a substituir por pareceres de organismos exteriores – nunca sujeitos à crítica nacional -, aceites como verdades absolutas quando convinham aos decisores políticos ( e ignorados quando não convinham).

A decisão de ouvir o LNEC foi uma decisão acertada porque, pela primeira vez, foi encarregue um organismo técnico, de dar um parecer técnico, sobre um assunto técnico, antes de se tomar a decisão política.
O LNEC nem sequer tinha experiência em assuntos aeronáuticos. Mas bastou produzir um relatório, para, um assunto que se arrastava há 10 anos, ser resolvido em 3 dias num clima de grande concordância nacional.

E agora?

Agora há que aproveitar o ensinamento, e passar a ouvir melhor os técnicos.
Há que por fim à situação de quase clandestinidade em que os técnicos portugueses foram mantidos por sucessivos poderes políticos e por uma classe política demasiado timorata e não particularmente competente.
Nem um só deputado assistiu ao debates promovidos pela Sociedade de Geografia de Lisboa e pelo Instituto Superior Técnico, em 1998 e 1999, que reuniram mais de três dezenas de técnicos, o primeiro dos quais (que foi filmado) teve 200 participantes no Salão Portugal da SGL. Nem a Imprensa se referiu a eles.

O que mudou, e fez a diferença nos últimos dois anos, foi a blogoesfera que vai certamente continuar .
Nas grandes obras que influenciarão largamente o nosso futuro, há que por fim à prática das decisões políticas tomadas antes dos estudos técnicos, e não integradas em programas conjuntos.
Neste momento, a decisão de construir uma ponte ferroviária ou rodo-ferroviária do Beato para o Barreiro, é uma decisão política, tomada sem suficientes estudos técnicos, não integrada num plano de conjunto, e com um impacto ainda não suficientemente avaliado.

A proposta de uma ponte, ou túnel, para o Montijo, apresentada no estudo da CIP, é uma simples proposta igualmente não estudada ( O traçado, apresentado neste estudo para o TGV ir passar, com uma espécie de “bossa do camelo”, no novo aeroporto (ver jornais de hoje) é nitidamente errado e obedece a uma concepção errada.)
Uma nova ponte (ou túnel) ferroviária sobre o Tejo é, em absoluto, necessária, daqui a alguns anos, mas há, pelo menos, uma outra hipótese a considerar: a da ponte (ou túnel) entre Alverca e Alhandra, provavelmente mais fácil de construir, mais barata, com menos impacto ambiental e que permite uma melhor exploração da rede.

Em qualquer caso, a decisão sobre a nova travessia não é urgente. Temos, felizmente, tempo para a estudar e ponderar a sua prioridade face a outras obras do país.
Agora que foi, finalmente, tomada a decisão sobre a localização do NAL, podemos fazer o estudo global da rede ferroviária na metade Sul do país , que inclui esta travessia, a localização da estação central de Lisboa e o traçado a Sul de Pombal do futuro TGV para o Porto.
Todos estes elementos têm de ser integrados num projecto global que tem de ser seriamente pensado e avaliado. O que não podemos, é decidir a construção do troço de Pombal a Alenquer da futura linha TGV de Lisboa para o Porto sem saber ainda como é que a linha vinda de Alenquer entrará em Lisboa. (A última versão que ouvi foi a de que entrará pelo vale do Trancão)

A curto prazo, muito provavelmente, nesta próxima Cimeira Ibérica, que se realizará este mês ou em Fevereiro, Portugal e e Espanha decidirão a construção da linha de Badajoz ao Poceirão, onde está prevista uma plataforma logística. Tenho insistido em que esta linha venha até ao Pinhal Novo, onde há uma estação da FERTAGUS. Com este acrescento, o futuro TGV para Madrid poderá começar a funcionar a partir do Pinhal Novo.

Mas, o verdadeiramente importante, é que esta linha será a nossa primeira ligação à rede ferroviária europeia de bitola standard. Como tal, permitirá o trânsito das nossas mercadorias por via ferroviária até à Polónia.
Temos assim, na nossa frente, o começo de um calendário ferroviário altamente benéfico para o país, que pode ser posto em marcha sem custos excessivos, e que, como tal, será aceite , certamente, de um modo consensual.

(11/1/2008)

António Brotas
Professor Jubilado IST


CARTA ABERTA AO PRIMEIRO MINISTRO SOBRE O AEROPORTO
(Publicada no "Público em 26/6/1999)

Caro Guterres,

Acho que lhe devo dizer que a construção do futuro aeroporto na Ota é uma decisão em absoluto errada, altamente gravosa para o país, o que com o tempo se tornará cada vez mais evidente.
Envio-lhe uma fotocópia da folha 30 D da Carta Geológica de Portugal com a indicação da implantação do aeroporto na Ota prevista pelos “Aeroport de Paris”. Esta implantação obriga a uma movimentação de terras da ordem dos 50.000.000 de metros cúbicos (cerca de 5 vezes a actual movimentação de terras anual em todo o país).

Mas, os ADP, não notaram, ou não se importaram, com o facto da implantação indicada obrigar a canalizar, não unicamente a Ribeira do Alvarinho, com uma bacia hidrográfica de 10 Km2, mas, também, a Ribeira da Ota com uma bacia hidrográfica muito maior. Esta obra, altamente contra indicada, obriga, se se insistir em construir o aeroporto na Ota, a construi-lo mais para Oeste, o que obriga a fazer uma movimentação de terras francamente maior.


Em qualquer caso, o aeroporto ficará um aeroporto acanhado, com duas pistas e sem qualquer possibilidades de expansão, o que é, de facto, confrangedor, quando se vê que está prevista a construção até uma 5ª pista do aeroporto de Barajas em Madrid, que poderá, assim, receber até 45 milhões de passageiros ano, estando já os espanhóis a prever a sua duplicação ou a sua substituição por outro que permita receber 90 milhões.


Grande parte dos acessos e do próprio aeroporto, que ficará a uma cota de cerca de 30 m, terá de ser feita sobre lodos, argilas e areias argilosas do leito de ribeiras, com cotas de 5m, que terão de ser consolidadas, obra sempre delicada, antes de serem feitos os aterros. A autoestrada, por exemplo, ainda continua a ter assentamentos na zona em que passa sobre uma pequena ribeira antes do viaduto da Ota. Uma obra destas não deve ser construída sem sondagens muito cuidadas. Enquanto não são feitas, que se procure, ao menos, a informação existente, que mais não seja ao nível dos trabalhos da cadeira de Geologia dos alunos do 3º ano do Técnico.


Os acessos, rodoviários e ferroviários, que terão de entrar pelo Sul, são, de facto, um problema complicado, que poderá encarecer muito a obra.

Note-se, que não foi ainda indicado, e não se vê facilmente onde poderão ser construídos, os parques de estacionamento de automóveis, em absoluto necessários ao lado de um aeroporto, aparentemente neste caso esquecidos. Entre os 5 e os 30 metros nem sequer sabemos a que cota ficarão.

Não parece estar ainda quantificado o custo da duplicação da autoestrada, paralela e a oeste da actual, considerada necessária para assegurar o acesso ao aeroporto da Ota. Quem viajar para o Norte pela estrada actual e olhar para a esquerda e vir o relevo não poderá, no entanto, deixar de ficar impressionado com o que poderá custar.


Não refiro aqui outras questões relacionadas com a localização do novo aeroporto umas, porque exigem uma discussão ampla e aberta, que gostaria que viesse a ser feita nos meios universitários, outras, porque exigem estudos técnicos que, depois de feitos, devem ser sujeitos à crítica dos especialistas ou, pelo menos, de quem os entenda. São exemplo, os estudos sobre segurança aérea que incluem as questões relacionadas com ventos, nevoeiros e choques com aves - é impressionante a ligeireza e superficialidade com que vejo referir esta última questão, e usa-la como argumento sem apoio em dados ou estudos minimamente suficientes.


Limitei-me a apresentar elementos, que penso suficientes, para excluir, desde já, a localização na Ota. Quem não tiver esta opinião, o que tem a propor é a continuação dos estudos, da solução da Ota e da solução do Rio Frio. Se, porventura, os estudos aprofundados da solução do Rio Frio, que tem, aliás variantes, vierem a desaconselhar esta solução, o que há a fazer é estudar outras soluções que o país, felizmente, tem outras possíveis.

O que não admissível, é com estudos superficialmente referidos e mais do que insuficientes, eliminar desde já a solução Rio Frio e, deste modo, pretender fazer aceitar a solução da Ota, que tem os gravíssimos inconvenientes referidos no início desta carta, que ninguém rebateu.

O Guterres, como eu, é engenheiro. É Primeiro Ministro, mas o país é tanto meu como seu. Escrevi esta carta procurando usar uma linguagem de engenheiro. Mas, pode crer, sinto-me triste e inquieto ao ver hoje no título de um jornal, uma notícia que, a ser verdade, não tenho dúvida, prejudica e inferioriza muito o meu país. (24/6/99)

Com as melhores saudações subscrevo-me

António Brotas



terça-feira, 8 de janeiro de 2008

TGV: Presidentes dos municípios de Pombal, Alcobaça e Alenquer insatisfeitos com declaração favorável a traçado


8 de Janeiro de 2008

Os presidentes das câmaras municipais de Pombal, Alcobaça e Alenquer criticaram hoje a declaração de impacte ambiental favorável ao traçado do troço Alenquer/Pombal da linha de alta velocidade Lisboa-Porto.

A alternativa de traçado do troço Alenquer/Pombal da linha de alta velocidade Lisboa-Porto, que prevê a localização da estação de Leiria na zona da Barosa (poente), obteve a declaração de impacte ambiental favorável, anunciou hoje a Rede Ferroviária de Alta Velocidade (RAVE).

Segundo a RAVE, a alternativa aprovada hoje prevê a localização da estação de Leiria na zona da freguesia da Barosa (ponte) sendo a solução "que permite uma melhor articulação com a Linha do Oeste, estando prevista uma ligação a esta linha na futura Estação de Leiria, a executar em simultâneo com a construção da linha de alta velocidade".

O presidente da Câmara Municipal de Pombal, Narciso Mota (PSD), classificou, em declarações à Agência Lusa, como "um erro histórico do país" a ligação do TGV entre Lisboa e Porto, frisando que no seu concelho "vai dividir aldeias, sem beneficiar nem o país, nem a região".

Narciso Mota questiona o "sentido de Estado" dos elementos do governo, que, de acordo com o autarca "fazem obras sem pensar no interesse nacional" e mediante "clientelas, 'lobbies' e pressões".

Para o autarca, as paragens do comboio de alta-velocidade em Leiria, Coimbra e Aveiro vão fazer com que "nunca atinja a velocidade cruzeiro pretendida de 300 quilómetros por hora".

"Não criem mais elefantes brancos", disse Narciso Mota, exemplificando o caso dos estádios construídos para o campeonato da Europa de futebol em 2004, afirmando-se "descontente, revoltado e indignado" perante um "governo autista e prepotente".

A Assembleia Municipal de Pombal pronunciou-se contra o traçado proposto do TGV, aprovando por unanimidade uma moção apresentada pelas freguesias de Almagreira, Carnide e Pombal.

Também o presidente da Câmara Municipal de Alcobaça, José Gonçalves Sapinho (PSD), disse hoje à Lusa que "mantém" posição contrária, lamentando, devido ao traçado do TGV, estar na "expectativa que o Novo Aeroporto de Lisboa não seja na Ota".

"Somos contra o TGV entre Lisboa e Porto", frisou Gonçalves Sapinho, justificando que "em Portugal, não há quem o utilize".

Segundo o presidente da Câmara de Alcobaça, cuja Assembleia Municipal rejeitou todos os possíveis traçados para o TGV, a proposta sugere um "Portugal dos pequeninos", reforçando que o comboio de alta-velocidade "vai parar em todos os apeadeiros" entre Lisboa e Porto.

"Em Alcobaça, o TGV não passará", garantiu o autarca, reafirmando que não vê "uma só razão para que passe no concelho", defendendo que se faça "do melhor do mundo" nas ligações de alta velocidade com Espanha.

Gonçalves Sapinho deplorou que "entre a linha do TGV e o cume da Serra de Candeeiros passe a ser um deserto, uma terra de ninguém", explicando que "do ponto de vista económico deixará de ter interesse".

O autarca questionou a "consciência" da RAVE, que segundo Gonçalves Sapinho, "assumiu o compromisso que nada seria público antes de a Câmara de Alcobaça ser consultada".

Já o presidente da Câmara Municipal de Alenquer, Álvaro Pedro (PS), lamentou que "as opiniões da autarquia não tenham sido ouvidas", acrescentando que "se calhar não tinham razão de ser".

Segundo o presidente da Câmara de Alenquer, que chumbou por unanimidade o estudo de impacte ambiental pela ausência de informação quanto aos impactes que poderá trazer às populações, estes "esclarecimentos nunca foram dados à autarquia".

Até agora estavam em análise duas localizações para a nova estação de alta velocidade de Leiria, uma a nascente e outra a poente da cidade, a decidir em função da avaliação de impacte ambiental do troço Alenquer/Pombal.

João Pedro Simões/CSJ. Lusa

Ligação Porto a Vigo não é rentável em TGV


26.09.2007
Para se chegar a um tempo de percurso de 2 horas e 15 minutos entre Lisboa e o Porto (um ganho de 20 minutos face ao tempo actual) seria preciso investir mais 1,8 mil milhões na linha do Norte, afirmou ontem a secretária de Estado dos Transportes, justificando assim a necessidade da alta velocidade. Pelo menos nas ligações entre a capital e o Porto ou Madrid, uma vez que “ligar o Porto a Vigo não é financeiramente sustentável”, garantiu Ana Paula Vitorino.

Aquele troço, que deverá entrar em funcionamento em 2013, terá características técnicas inferiores à da rede de alta velocidade precisamente devido à falta de sustentabilidade do projecto, explicou a governante. É por isso que, por exemplo, a ligação irá aproveitar a linha existente entre Porto e Braga, o tráfego será misto e a velocidade de projecto prevista é de 250 quilómetros (contra os 350 km/h do resto da rede).
Mas como o objectivo é a dinamização do “tecido económico do Norte do País”, está a ser estudada a ligação entre a estação de Campanhã (alta velocidade) e o Porto de Leixões, adiantou ontem Ana Paula Vitorino no final da audiência na Comissão Parlamentar de Obras Públicas, Transportes e Comunicações.

Desta forma, potencia-se o porto de Leixões – que poderá servir um território mais vasto (até à Galiza) – e a própria linha ferroviária, colocando-a no “limiar da sustentabilidade”, explicou Ana Paula Vitorino.

Quanto à capacidade da linha do Norte, em alternativa à rede de alta velocidade, a secretária de Estado comparou a situação de esgotamento actual à antiga Estrada Nacional 1 antes da construção da Auto-estrada do Norte, “quando ir a uma reunião ao Porto demorava o dia inteiro”. Desde então já foram inscritos em PIDDAC 23 vezes mais do que o previsto, ou seja, 1,78 mil milhões de euros, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas.

Actualmente o alfa pendular liga o Porto a Lisboa em 2 horas e 35 minutos mas para reduzir para 2 horas e 15 minutos teriam de ser investidos 1800 milhões de euros, explicou a secretária de Estado. Recorde-se que em comboio de alta velocidade o percurso entre as duas maiores cidades do País será feita em 1 hora e 15 minutos.

ATRASOS PENALIZADOS

O Parlamento Europeu aprovou ontem nova legislação sobre os direitos dos passageiros, que entrará em vigor em finais de 2009. Indemnizações por atrasos e acessos acessíveis a todos são algumas das disposições do chamado terceiro pacote ferroviário, que inclui a liberalização dos serviços internacionais.

De acordo com o novo regulamento, os passageiros poderão pedir uma indemnização à empresa ferroviária por atrasos: se for entre os 60 e os 119 minutos, a restituição será de 25 por cento do preço do bilhete; se for superior a duas horas, o valor a devolver será metade do preço do bilhete. Ficou ainda consagrado que as pessoas com mobilidade reduzida, nomeadamente idosos, tenham acesso aos cais e os comboios.

MANDATO DA CP JÁ TERMINOU

O actual conselho de administração da CP, liderado por Cardoso dos Reis, terminou segunda-feira o seu mandato, mas continuará em “gestão corrente até o Conselho de Ministros aprovar um novo conselho”, explicou ontem ao CM fonte do Ministério das Obras Públicas. Cardoso dos Reis foi nomeado presidente da CP no ano passado, substituindo António Ramalho, que foi exonerado a seu pedido, mas apenas “para o período disponível do mandato em curso”, como se pode ler na resolução do Conselho de Ministros de 13 de Julho de 2006.

Com Cardoso dos Reis foi ainda nomeado Paulo Magina, após saída de Miguel Setas, que assumiu a responsabilidade pelas áreas de Finanças Corporativas, Projectos e Patrimónios. Para além destes, terminam ainda os mandatos Leiria Pinto (responsável pela CP Alta Velocidade), Adriano Moreira (CP Porto e Lisboa) e Nuno Moreira (CP Regional e CP Longo Curso).

SAIBA MAIS

7,1 mil milhões de euros é quanto deverá custar a rede de alta velocidade em Portugal, com as ligações Lisboa-Porto, Porto-Vigo e Lisboa-Madrid. Este valor inclui a componente de TGV na Terceira Travessia do Tejo (TTT) entre Chelas e o Barreiro, que é de 600 milhões de euros.

100 euros é o preço previsto (num estudo realizado em 2005) para um bilhete para o TGV entre Lisboa e Madrid. O preço calculado para o percurso entre Lisboa e Porto é de 40 euros. Mas o modelo deverá prever promoções.

SEM DECISÃO

O governo deverá anunciar em breve a localização da estação de alta velocidade em Lisboa e quais as componentes da Terceira Travessia sobre o Tejo (se inclui ou não rodovia).

FINANCIAMENTO

O Estado assegura 36 por cento do financiamento, os fundos comunitários 19 por cento e os privados os restantes 45 por cento.

MODELO

As empresas privadas propõem-se a conceber, financiar, construir e manter cinco troços das linhas ferroviárias.

ESTAÇÕES E LIGAÇÕES À REDE

SEM OTA

A estação da Ota não será construída caso a localização para o novo aeroporto seja a Margem Sul.Mas a ideia não era a de ligar Lisboa ao aeroporto em Alta velocidade mas sim usar a linha dedicada para um ‘shutlle’

AEROPORTO

A ligação entre a rede de alta velocidade e o aeroporto Sá Carneiro no Porto estará assegurada, afirmou ontem a secretária de Estado. No entanto, poderá não estar garantida desde a entrada em circulação, em 2013

LIGAÇÕES

As inter-ligações entre as duas redes, a convencional e a alta velocidade ferroviária, estão garantidas. Leiria, por exemplo, terá ligação a linha do Oeste, e Coimbra B também assegura a ligação à rede convencional.

http://engenhariacivil.wordpress.com
Fonte: Correio da Manhã

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Pastilhas de Travão contaminam águas subterrâneas com metais pesados

A poluição das águas subterrâneas, ou do lençol freático, por metais pesados é uma das maiores preocupações ambientais actuais. Os metais pesados têm um impacto cumulativo no corpo humano, podendo levar a diversos tipos de intoxicações, alergia e até à morte. Com o lençol freático contaminado, é quase certo que essa contaminação chegará à população, por meio do serviço de abastecimento de água.
Mas, à excepção dos vazamentos ocorridos em fábricas que não tomam o devido cuidado com o meio-ambiente e dos acidentes localizados, não era conhecido até agora a fonte real dessas contaminações, que estão surgindo por toda a parte. Essa dúvida foi agora respondida por pesquisadores do Instituto Fraunhofer, Alemanha.

Causa: Pastilhas de travão!



No entanto existem outros vilões na lista dos grandes contaminadores dos lençóis subterrâneos que são: a utilização de rails de protecção em zinco nas autoestradas, e redes de vedação quer nas autoestradas bem como nas linhas de caminho de ferro, e as próprias linhas de caminho de ferro e respectivas rodas dos comboios.
Todos esses materiais têm na sua composição zinco e alumínio entre outros metais, são duráveis, fáceis de instalar, e de grande resistência. Porém, ainda que duráveis, essas estruturas estão sujeitas à corrosão por acção dos agentes atmosféricos e sofrem o inevitável desgaste, mesmo que de forma pouco visível a olho nu.
A sua deterioração lenta é responsável por levar ao solo anualmente toneladas, repito! toneladas de zinco, chumbo, alumínio, entre outros metais pesados, em que a maioria atinge cursos de água por meio dos canais de escoamento de águas pluviais que desaguam directamente nos rios e linhas de água mais próximos.

Portanto cabe a cada um de nós defender o que é nosso, e que por direito nos pertence, não podemos deixar que estraguem aquilo que temos de melhor no nosso concelho, na nossa freguesia em prol de um desenvolvimento "insustentado" e economicamente catastrófico.

A infiltração de zinco, alumínio e outros metais pesados num dos maiores lençóis freáticos da Europa, numa zona de infiltração máxima é inevitável com a passagem do TGV pelo nosso concelho!

Não á destruição da nossa PRECIOSA ÁGUA!!!
por Francisco Vicente

Água contaminada mata 13 mil crianças na Europa

Lisboa
08.08.05
A água imprópria para consumo ainda mata na Europa. Todos os anos, no velho continente, 13 500 crianças, com menos de 14 anos, morrem com doenças associadas a água contaminada, nomeadamente com diarreia. Para alterar este cenário, entrou em vigor, na passada quinta-feira, o protocolo Água e Saúde, um instrumento internacional de prevenção, controlo e redução de doenças provocadas por água sem qualidade. Dezasseis países ratificaram o documento, aprovado em 1999. Portugal não inclui ainda o rol de signatários, embora o Ministério dos Negócios Estrangeiros tenha já iniciado o processo.Marc Danzon, o representante da Organização Mundial de Saúde (OMS), na Europa, considerou a entrada em vigor do protocolo Água e Saúde "uma data significativa para a saúde pública", pois trata-se do "primeiro instrumento de cooperação internacional na luta contra as doenças originadas pelo consumo de água contaminada".

Segundo dados da OMS, 16 % da população do continente europeu, equivalente a 140 milhões de pessoas, não têm acesso a sistemas de abastecimento e tratamento de água, enquanto 85 milhões - 10% dos europeus -, continuam privados de redes de saneamento.Em Portugal, os números são mais animadores. No que diz respeito a saneamento básico, 68 % da população encontra-se ligada a redes de drenagem, apesar de apenas 46% ver os seus esgotos tratados, o que representa, respectivamente, 6,8 e 4,6 milhões de indivíduos. Quanto ao abastecimento de água, 90 % dos portugueses - nove milhões de pessoas - tem acesso a redes de água potável. No entanto, existem numerosos aglomerados, com baixos índices populacionais, onde a água que bebem não provém da rede pública, sendo muitas vezes consumida com perfeito desconhecimento da sua qualidade.No total do continente europeu, embora 877 milhões de indivíduos tenham acesso a água em condições para consumo, ainda há 41 milhões (5% da população) sem acesso assegurado a água potável. De acordo com os dados da OMS, estes indicadores dizem respeito, maioritariamente, aos países da Europa de Leste.É nos países em vias de desenvolvimento que a água, ou a falta dela, se apresenta como um problema de sobrevivência para milhares de pessoas e, sobretudo, para as crianças. Na faixa etária entre os seis meses e o ano de idade, um período muito vulnerável, em termos imunitários, as taxas de doenças infecciosas provocadas pela falta de qualidade da água assumem proporções preocupantes.

Nos países africanos, em que a SIDA mata de forma descontrolada, muitas mães vêem-se perante um dilema amamentar e transmitir a doença ou dar leite em pó e pôr a vida dos filhos em risco, devido à ingestão de água contaminada.Doenças como a cólera, a malária, infecções intestinais matam milhares de pessoas todos os anos. Outras maleitas, não mortais, podem provocar incapacidades. É o caso do traucoma, uma doença da visão, provocada por uma bactéria contraída ao lavar o rosto. No mundo, existem 500 milhões de pessoas em risco, mas 146 milhões estão, neste momento, à beira da cegueira.As diarreias, incluindo a cólera, provocam a morte a 1,8 milhões de pessoas todos os anos, a maioria das quais crianças com menos de cinco anos. Também a malária continua a vitimar impiedosamente. Todos os anos, a doença do mosquito, que se reproduz nas águas paradas, tira a vida a 1,3 milhões de cidadãos. Destes, 90%, ainda não atingiram os cinco anos de vida.

A pobreza continua a ser uma das principais ameaças à saúde pública. No Bangladesh, entre 28 e 35 milhões de pessoas bebem água com elevados níveis de arsénio. A contaminação por arsénio das águas subterrâneas está registada, ainda, no Chile, China, Índia, México, Tailândia e Estados Unidos.A partir de agora, os países subscritores do protocolo Água e Saúde têm à sua disposição um instrumento que visa permitir o acesso de todos a água potável e saneamento, que poderá evitar milhares de mortes por ano - no terceiro mundo, mas também numa Europa que se considera civilizada.
Por Paula Ferreira in Diário de Noticias Online

A IMPORTÂNCIA DA ÁGUA

A água é o constituinte mais característico da Terra, é o ingrediente essencial da vida.
Podemos ilustrar esta essencialidade da água com da seguinte forma:
"Um certo indivíduo está num deserto e necessita de água. Neste caso, a água é tão importante que este indivíduo deixa qualquer riqueza que possua, e passa a querer a água antes de qualquer outra coisa".
Os economistas chamam a este conceito utilidade marginal.

A água é uma substância líquida que parece incolor a olho nu em pequenas quantidades, inodora e insípida, essencial a todas as formas de vida conhecidas, composta por hidrogénio e oxigénio, com fórmula química H2O . É uma substância abundante no nosso planeta, cobrindo cerca de três quartos da superfície do planeta, encontrando-se principalmente nos oceanos e calota polares, e também na atmosfera sob a forma de nuvens, sobre os continentes em rios, lagos, glaciares e aquíferos, para além da que está contida nos diversos organismos como por exemplo o nosso.

Algumas curiosidades sobre a importância da água
-A utilização média diária de água em Portugal é de cerca de 100 litros por habitante.

-Todos os anos 1,5 milhões de pessoas morrem por falta de água, 90% das quais crianças com menos de 5 anos de idade.

-Todos os anos 10 milhões de pessoas morrem, metade com menos de 18 anos, com doenças que não existiriam se a água fosse tratada.

-Prevê-se que muito em breve, a falta de água seja motivo de inúmeros conflitos e guerras entre nações.


Medidas de poupança de água que todos nós devíamos adquirir:

-Tomar duches rápidos em vez de demorados ou de banhos de imersão.

-Manter a torneira fechada enquanto se lava o corpo, o cabelo, a louça ou escovar os dentes.

-Colocar uma garrafa com areia no autoclismo ou adquirir um autoclismo com duas hipóteses de descarga.

-Não poluir os rios, nem os lençóis freáticos, protegendo assim este recurso essencial à vida.
-Lavar o carro o mínimo de vezes possível.

Origem da compilação: Wikipédia, a enciclopédia livre

FRACOS ARGUMENTOS DA RAVE

Documento em PDF sobre os argumentos da RAVE em relação ao TGV, com fotos e exemplos explicativos da autoria de Rui Rodrigues no site www.maquinistas.org

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

UM ESTADO FORA DA LEI ?

Em Dezembro de 1994 foi elaborado pelo GITAP (Gabinete de Estudos e Projectos, S.A.) o relatório do PDM (Plano Director Municipal), em que se justificava a necessidade de REN (Reserva Ecológica Nacional), nos lugares da base da Serra dos Candeeiros. Esta área encontra-se na zona de infiltração máxima, em cima do maior reservatório de água da Europa, estando o seu uso condicionado, conforme o artigo 12, do Decreto-Lei n° 93/90. Tal situação criou, ao longo do tempo, limitações ao nível do crescimento destes lugares.

A passagem do TGV (do francês: train à grande vitesse), no concelho de Alcobaça, de acordo com os traçados previstos, esquece o Decreto-Lei, ao mesmo tempo que irá espartilhar oito freguesias, provocando um condicionamento para futuras localizações urbanas e industriais, com consequente desvalorização patrimonial dos habitantes locais, bem como da degradação da sua qualidade de vida e ainda com prejuízo da sustentabilidade.
Um dos traçados do TGV no Carvalhal de Aljubarrota compromete o património natural e arqueológico, nomeadamente as grutas dos períodos cronológicos: Neolítico, Calcolítico, Idade do Bronze, Idade do Ferro e Época Romana.

No actual contexto do TGV e atendendo às dimensões de Portugal Continental, não faz sentido a ligação, por este meio, entre Lisboa e Porto.
Um investimento de tão elevados custos financeiros, sociais, patrimoniais e ambientais, não pode ser feito apenas para ganhar alguns minutos aos comboios pendulares, já existentes na ligação Lisboa/Porto, tendo ainda em conta que, para este trajecto, terá de concorrer com o transporte aéreo de baixo custo.

Será que para impor um comboio de alta velocidade é preciso destruir tanto, quando já existe um Alfa Pendular, que para o nosso país, à escala da Europa, já é considerado um comboio de alta velocidade?
Quando um Estado não cumpre as leis que ele próprio cria e embarca pelo facilitismo de as alterar de acordo com as conveniências do momento, em que estado estamos? ...

Texto de Isabel Alves (Professora da Escola Secundária D. Pedro I)
in: Jornal do Agrupamento de Escolas D. Pedro I de Alcobaça